
Hoje percebi a estranha forma de vida sob a qual tenho vivido. Senti nas mãos todas as palavras adiadas e todas as palavras não ditas durante dias, meses, anos. Hoje senti o tempo que tenho perdido... ou que decidi viver de forma diferente. Os meus dias... Interiormente tenho assistido a um girar silencioso e contrário das estações... Vivi neste Inverno cinzento e húmido, e agora acordei com a brisa da Primavera a querer espreitar levemente debaixo do meu cabelo e suspirar de novo a leve e terna poesia da vida aos meus ouvidos cerrados há demasiado tempo. Sinto-me a pulsar dentro de mim mesma... perdi o sono... perdi o medo... o desconforto geral em relação a tudo... Desta vez vou sentar-me no chão, entre os meus livros e as minhas canecas de café acanelado e apreciar.
Saltei...
arrisquei...
parti-me...
e senti aquele medo de morte...
senti-me suspensa..
senti-me esticada...
senti-me paralizada de dor...
a escorregar pro fundo.
Mas saltei...
e aterrei a sorrir...
VIVA...
pela primeira vez...
Eu tinha gritado ao vento : ' chega rápido Primavera!'
E aterrei a tempo de a sentir chegar... de mãos dadas com o Outono.
Agora sento-me no chão, e beber Cappuchino, e a sorrir. Porque simplesmente estou a escrever.
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